domingo, 26 de fevereiro de 2012

Glaciares e o degelo

Glaciar é uma grande e espessa massa de gelo formada em camadas sucessivas de neve compactada e cristalizada, de várias épocas, em regiões onde a acumulação de neve é superior ao degelo. É dotada de movimento e se desloca lentamente, em razão da gravidade, relevo abaixo, provocando erosão e sedimentação glaciar.

O gelo dos glaciares é o maior reservatório de água doce sobre a Terra, e perde em volume total de água apenas para os oceanos. As geleiras cobrem uma vasta área das zonas polares mas ficam restritas às montanhas mais altas nos trópicos. Em outros locais do sistema solar, as grandes calotas polares de Marte rivalizam-se com as da Terra.


O degelo dos glaciares aumenta e Portugal está em risco
Em todo o mundo, os glaciares derretem a um ritmo impressionante. Um ritmo que ultrapassa até as previsões mais pesssimistas. A tendência volta a ser confirmada por um estudo recente da Universidade da Sabóia, perto de Chambery, em França. O degelo dos glaciares é a principal causa da subida do nível dos oceanos. Portugal é um dos países em risco.

Fig.1
 Previsão da Costa Portuguesa em 2100 devido à erosão e ao degelo dos glaciares e das calotes polares
A maior parte da costa portuguesa está em risco de erosão e perda de terreno durante as próximas décadas devido às alterações climáticas. No entanto, não há nenhum estudo integrado que permita avaliar com exactidão o que vai acontecer, e onde, e que medidas são necessárias para minimizar estragos.


Uma notícia que contradiz todas as previsões
Todas as previsões tem apontado para o aumento da velocidade do degelo dos glaciares, no entanto, um novo relatório científico divulgado recentemente, tem finalmente um vislumbre de algo positivo.  Afirma que, enquanto os glaciares dos Himalaias (Fig. 2) estão derretendo mas estão fazendo num ritmo muito mais lento do que se acreditava anteriormente.

Fig.2
O portador da boa notícia foi John Wahr, um pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder . Ele e a sua equipe realizaram um estudo á sucessão gigante de montanhas utilizando medições para as alterações massa de gelo para todos os glaciares e baseando-se numa melhor análise de dados registado pelo  satélite da NASA, GRACE, de 2003 a 2010, os resultados, publicados na revista Nature , oferecem um alívio para uma região já sente os impactos do aquecimento global.
O que eles descobriram foi que a quantidade de perda anual dos glaciares do Himalaia e Karakoram não era tão terrível como tinha sido calculado por pesquisadores anteriores. Na verdade, era substancialmente menos, cerca de 4 bilhões de toneladas por ano, ao contrário da atual percepção de 50 bilhões de toneladas.

Fig.3
Por quê a grande divergência? John Wahr acredita que pode ser devido ao facto de que as últimas projecções serem baseadas em algumas centenas de glaciares que podem ser observados a partir do solo. No entanto, os dados do GRACE é a compilação de mais de 200.000 glaciares ou a tampa da Terra de gelo inteira.


É fascinante a forma como os glaciares se formam e mais incrível ainda são as estupendas paisagens que estes glaciares nos proporcionam, devendo nós tentar reduzir ao máximo a destruição destes, pois, uma das grandes causas do degelo dos glaciares é o aquecimento global do qual nós estamos envolvidos nele negativamente.

Bibliografia:
Livro de Geologia 12º ano

Mineral mais velho do que a Terra encontrado num meteorito

Uma equipa de geólogos da City University of New York (CUNY) e do museu norte-americano de História Natural anunciaram na revista  «American Mineralogist» a descoberta de um mineral desconhecido até agora e inexistente na Terra.
Este mineral terá sido um dos primeiros a formar-se no sistema solar. É um componente original da maior parte dos planetas do sistema e existiu mesmo antes do começo da formação da Terra e dos seus vizinhos. 

O mineral, baptizado como crotita (Fig. 1), é o componente principal de uma série de inclusões de um meteorito encontrado no norte de África, o NWA 1934. Este pequeno grão, que devido à sua aparência foi chamada de “ovo partido”, intrigou desde logo os investigadores.Com alguma frequência, os meteoritos contêm pequenos fragmentos ou inclusões de outros materiais cujo estudo se tem revelado uma fonte inesgotável de informação sobre os inícios do sistema solar.

Fig. 1 
Este é uma rara mistura refractária de cálcio e alumínio o que significa que a sua estrutura é estável a temperaturas elevadas.
Depois de identificado, o “ovo partido” foi enviado para o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) onde foi submetido a análises de nanomineralogia para que fossem determinados os seus componentes.

Encontrar este composto formado naturalmente há mais de 4500 milhões de anos é um “tesouro”, visto que contém informação que pode ajudar a decifrar a origem do sistema solar.
Fabricar artificialmente este material requer que se utilizem temperaturas de, pelo menos, 1500 graus centígrados. Este “ovo partido” formou-se a baixas pressões, o que é consistente com o facto de que a sua origem data das fases iniciais da nebulosa solar primogénita, da qual se formaram os planetas.

Bibliografia:

Abalo no Haiti poderá ser aviso de novos tremores de terra

O sismo que abalou o Haiti, há dois anos, poderá ser a manifestação de um novo ciclo de actividade sísmica com futuros tremores de terra arrasadores, concluiu uma investigação publicada em Janeiro nos EUA.

Segundo os autores do estudo liderado por William Bakun, da U.S. Geological Survey, os arquivos históricos revelam uma actividade sísmica frequente nas Caraíbas nos últimos 500 anos, mais particularmente na ilha de Hispaniola, partilhada pelo Haiti e pela República Dominicana.

Fig. 1
Sismólogos apoiaram-se em numerosos relatos de destruições provocadas por diferentes tremores de terra para avaliar a sua intensidade, a sua situação geográfica e amplitude e, assim, elaborar um modelo.

No estudo, publicado no Boletim da Sociedade Americana de Sismologia, os autores descrevem uma série de sismos devastadores ocorridos no século XVIII na falha de Enriquillo, que atravessa a ilha de Hispaniola de este a oeste.

Um abalo de magnitude 6,6 ocorreu em 1701 no Haiti, muito próximo do epicentro do violento sismo de 12 de Janeiro de 2010, de magnitude 7,0, que matou mais de 200 mil pessoas. De acordo com os cientistas, as descrições dos abalos e da sua intensidade são semelhantes.
 A 3 de Junho de 1770 registou-se um tremor de terra de magnitude 7,5, a oeste da zona do sismo de 2010, que ocorreu após 240 anos de pausa sísmica. Para William Bakun, do Instituto de Geofísica norte-americano e um dos co-autores do estudo, a falha Enriquillo “parece novamente activa”.

Assim pode vir aí um ciclo de sismo destruidores nesta zona, tendo assim os especialistas aconselhado os Haiti e a República Dominicana para se prepararem para sismos de uma intensidade semelhante aos que se verificaram.

Bibliografia:

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cartografia Geológica


A informação geográfica relativa à constituição geológica do território revela-se fundamental no entendimento de fenómenos que ocorrem sobre a superfície da terra.
O recurso à cartografia geológica sustenta:
. a prospecção e exploração de recursos energéticos, minerais;
. a selecção e caracterização de locais para a implantação de grandes obras de engenharia;
. estudos de caracterização e preservação do ambiente;
. estudos de previsão e de prevenção de fenómenos naturais, como, por exemplo, dinâmica de vertentes, actividade sísmica e vulcânica;
. a compreensão dos padrões de ocupação histórica do território;
. estudos científicos diversos.
A produção em Portugal de mapas com esta informação é abundante mesmo que ainda não exista uma cobertura exaustiva - e quer os temas quer as escalas a que a diferente cartografia é publicada é reveladora da importância destas matérias no quadro da produção geral de cartografia em Portugal.
A responsabilidade da produção desta Cartografia é atribuída ao LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia, que por sua vez  integra competências desenvolvidas por departamentos e unidades orgânicas do INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação. Estas entidades integraram os  SGP (Serviços Geólogicos de Portugal) e o IGM (Instituto Geológico e Mineiro).

Fig.1
As Cartas Geológicas de Portugal:
Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:25 000
Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:50 000 (ver lista de cartas publicadas aqui)
Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:200 000
Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:500 000
Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:1 000 000
Cartas Geológicas das Regiões Autónomas

A Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:50 000
Os trabalhos que conduziram à carta Geológica na escala 1:50.000 (Fig. 2) iniciaram-se em 1952.
Estas colecções obedecem a uma lógica de organização e identificação segundo a qual o espaço nacional é fragmentado em parcelas rectangulares de território, cada qual com um número identificativo em função da escala considerada. Essa divisão,mapeada, deverá sustentar e apoiar a procura orientada do material cartográfico existente na MAPoteca. Assim, em função da extensão da área a estudar, da qualidade e pormenor da informação geográfica necessária e da exequibilidade na manipulação de um número mais ou menos considerável de cartas, deverá o Utilizador planear a aproximação ao território em função desta matriz e procurar os documentos neste Serviço, requisitando-os pelos números que identificam cada uma das cartas a diferentes escalas. Note-se que este mosaico não respeita a lógica administrativa nacional, alertando-se desde já os Utilizadores para uma avaliação da abrangência do território a analisar e a sua total inclusão nas cartas requeridas. No caso particular das cartas geológicas de Portugal à escala 1:50 000, a lógica de identificação das cartas é em tudo igual àquela adoptada na identificação das Cartas Corográficas de Portugal (exemplo: folha 9-D Porto, ou folha 37-A Elvas,
Fig.2
A riquíssima informação encontrada nas Cartas Geológicas de Portugal é ainda complementada com a "Notícia Explicativa" que acompanha cada um dos exemplares.



Bibliografia:

Lisboa ameaçada por magnitude 7



Fig. 1
“Existem três grandes falhas sísmicas que afectam a região da grande Lisboa e que são muito provavelmente activas: a Falha de Vila Franca de Xira, a Falha do Pinhal Novo e a Falha de Samora Correia – Alcochete”. Esta é a principal conclusão de um recente estudo realizado por Carlos Cancela Pinto (Fig.1), investigador da Unidade de Recursos Minerais e Geofísica do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.
“Foi calculado o sismo máximo expectável para cada uma das falhas (Fig. 2) e chegou-se à conclusão que a primeira poderá gerar um sismo de magnitude 7.06, a segunda de 6.42 e a terceira 6.52", revelou Carlos Cancela Pinto ao Ciência Hoje.

Para além disso, do ponto de vista científico,  “este trabalho poderá abrir portas para novos projectos científicos que corroborem (ou não) as falhas identificadas e que melhorem a compreensão da Bacia Terciária do Vale Inferior do Tejo”, acrescenta.

Para realizar este trabalho, o geólogo utilizou uma “metodologia inovadora em Portugal”. Foram congregados dados num programa informático utilizado pela indústria petrolífera, Openworks Landmark, com o objectivo de compreender e identificar as principais falhas da região. Foram utilizados dados geofísicos, catálogos sísmicos, dados de altimetria, sondagens geológicas e furos profundos providentes da indústria petrolífera, bem como cartografia geológica de superfície recentemente actualizada.

Com base nos resultados obtidos foram interpretados novas falhas que “são muito possivelmente estruturas activas, pois no registo dos dados de sísmica de reflexão afectam formações geológicas mais superficiais”.

Fig . 2 (As falhas assinaladas a tracejado indicam falhas prováveis)
Os próximos passos que Carlos Cancela Pinto pretende dar incluem a investigação com instrumentos de sísmica de alta resolução e abertura de trincheiras nas zonas das principais falhas, com o objectivo de confirmar se estas falhas tiveram actividade nos últimos 25 mil anos e estudá-las, determinando o período de recorrência e sismos máximos expectáveis.


Joides Resolution em Lisboa

O segundo maior navio do mundo para fazer perfurações científicas no fundo oceânico, o Joides Resolution (Fig.1), está em Lisboa, atracado em Alcântara, acabado de chegar de uma missão científica ao Golfo de Cádiz, largo da costa algarvia, a sul, e sudoeste atlântico. Depois de dois meses no mar, e de sete paragens para recolher amostras de lamas e sedimentos a profundidades que chegaram aos 990 metros no interior do subsolo marinho, a expedição chegou ao fim e tem novidades para contar.
Fig.1

Há mais de seis milhões de anos, o Mediterrâneo era um mar fechado. Então, há 5,3 milhões de anos, o Estreito de Gibraltar começou a abrir-se, e depois disso, a cada novo período de um milhão de anos, como se uma batida cardíaca tomasse conta da Terra naquele lugar, o canal abria-se mais e mais, e ganhava profundidade, com movimentos terrestres intensos e torrentes de sedimentos lançadas no fundo marinho, junto à costa Sul e sudoeste da Península Ibérica. "A surpresa", disse Dorrik Stow, "são as grandes mudanças periódicas a cada novo período de um milhão de anos".
Dorrik Stow avançou, em conferência de imprensa, o seguinte: “A quantidade de areia descarregada no Mediterrâneo vai gerar uma camada que dá excelentes reservatórios para hidrocarbonetos”, acrescentando que, até agora, não se sabia da existência destes potenciais reservatórios.  
Assim, “é maior a probabilidade de existir ali petróleo”, um dado a ter em conta pelas empresas que fazem este tipo de prospecção, concluiu.  
Fig. 2
Este tipo de areia branca, “limpa e bem calibrada”, encontra-se desde o Estreito Gibraltar até oeste de Portugal, subindo a Espanha e a Escócia, em direcção à Noruega. Francisco Hernández-Molina, do Departamento de Geociências Marinhas, da Universidade de Vigo, acrescentou que no Brasil existem depósitos de areias deste tipo com gás e petróleo. 
Mas as novidades não ficam por aqui. As primeiras análises físicas e geoquímicas dos  sedimentos recolhidos, feitas nos laboratórios     do navio, que está equipado com todas as tecnologias de ponta necessárias para isso, permitiram também fazer o primeiro retrato climático dos últimos 1,5 milhões de anos, que abrangem pelo menos quatro eras glaciares da história da Terra. Um dado novo, por exemplo, é que há um milhão de anos, durante um período de 10 a 20 mil anos, a água do mar à superfície tinha temperaturas polares, da ordem dos quatro graus Celsius, ao largo de Faro, adiantou a paleontóloga Antje Voelker.


Bibliografia:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

“Relógios” paleontológicos

Através dos dados da litostratigrafia, vimos que podemos correlacionar determinados acontecimentos geológicos ocorridos numa dada região. No entanto, quando queremos correlacionar determinado tipo de formações geológicas com outras muito afastadas geograficamente, apenas com base nos dados relativos às suas características litológicas, estes revelam-se insuficientes.

Biostratigrafia pode ser considerada uma ciência de fronteira entre a estratigrafia e a paleontologia, tendo como principal objectivo o estudo temporal dos fósseis existentes no registo estratigráfico, esta

     -Utiliza a paleontologia para organizar as sequências geológicas em unidades biostratigráficas com o objectivo de fazer o estudo temporal dos fósseis aí existentes;
     -Permite correlacionar formações geológicas geograficamente afastadas e a nível global, comparando a idade relativa de diferentes formações no espaço e no tempo;
     -Resulta numa escala biocronostratigráfica.


Fig.1

Fósseis de idade ou característicos, são fósseis que apresentam uma repartição geográfica muito grande, uma curta distribuição estratigráfica (viveram num curto periodo de tempo), grande abundância e bom potêncial de preservação

Princípio da identidade paleontológica, admite que estratos que possuam o mesmo registo paleontológico são da mesma idade (fig2).

Fig.2


Dendrocronologia é um outro tipo de relógio paleontológico que pode ser utilizado como método de datação “absoluto”, a dendrocronologia:

 -Enumeração dos anéis de crescimento anuais das árvores;
     -Os anéis são distinguíveis devido à variação da velocidade de crescimento, que 
depende do clima;
     -Permite realizar datações de determinados acontecimentos até um limite de 11 400 anos, por isso, não têm grande importância na elaboração da história geológica global.

Fig.3


Estes "relógios" baseiam-se principalmente na biostratigrafia, que tem por base a aplicação do principio da identidade paleontológica, em que os fósseis de idade ou característicos são muito importantes e têm características que os tornam especiais em relação aos outros fósseis. A dendrocronologia não é um método muito utilizado pois implica o abate de árvores e apenas estabelecem idades relativamente urtas.

Bibliografia:
Manual escolar 12º ano "Geologia" da Porto Editora